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Flora

Quem percorre este concelho poderá deliciar-se com as suas paisagens maioritariamente imaculadas e descobrir um património natural único e de uma beleza inigualável, que guarda toda a sua particularidade, favorecendo a preservação de espécies vegetais e animais existentes nas encostas alcantiladas do rio Douro. Ainda assim, nenhum quadro é perfeito sem referirmos as espécies vegetais nele existentes, isto é o que faremos de seguida, visto que de resto, a paisagem fala por si.

Longe da agitação e da pressão das grandes aglomerações, o concelho de Miranda do Douro não sofreu a destruição sistemática dos seus valores patrimoniais, naturais e humanos, assegurando a persistência dos saber-fazer tradicionais e transformando aspectos, quase sempre conotados com facetas negativas, como o isolamento, a ruralidade e a fraca ocupação humana, em condições muito atractivas, sobretudo para quem, cansado do ritmo intenso do trabalho diário e do modo de vida urbano, deseja a regeneração, o lazer, a aventura e o bem-estar.

O visitante que chega ao concelho de Miranda do Douro pode desfrutar de um património natural e paisagístico espectacular e autêntico, onde coexistem santuários de flora e fauna, exuberantes formações geológicas e geomorfológicas, o Douro Internacional, santuários rupestres, arribas do Douro – e cursos de água que potenciam boas condições de lazer e recreio; de um património cultural e etnológico de grande valor, onde as lendas e tradições surgem associadas a romarias e festividades locais, como a Romaria da Senhora do Naso, da Luz e da Trindade; de um património construído rico e variado, com destaque para a monumentalidade da cidade de Miranda do Douro e também das freguesias do Concelho com a singeleza da arquitectura tradicional.

A proximidade a todo o Interior fronteiriço permite, ainda, a integração dos povoados da Raia, portuguesa e espanhola, nos itinerários dos que visitam o concelho.

O concelho de Miranda do Douro, encerra alguns valores paisagísticos, de entre os quais se pode destacar:

Os azinhais (carrascais) de Quercus rotundifólia:
Esta espécie aparece nesta zona sob a forma de povoamentos e nas bordaduras das parcelas agrícolas. Vulgarmente chama-se carrasco.As azinheiras surgem no planalto Mirandês espontaneamente chegando a atingir 7 a 10 metros de altura. O seu fruto, a bolota, é muito apreciado para alimentação do gado suíno.

Os sobreirais de Quercus suber:
O sobreiro apresenta-se no Concelho como uma árvore de grande importância económica e paisagística. Desta árvore podemos extrair a cortiça, a bolota e a madeira. A bolota serve de alimento aos porcos, enquanto a cortiça pode ser utilizada no fabrico de rolhas e de produtos para isolar e revestir. A sua madeira é empregue na marcenaria e dá um excelente carvão. As formações de maior dimensão localizam-se em Fonte Aldeia (cabeço da Trindade), Palaçoulo e Silva.

Os carvalhais de Quercus pyrenaica:
Os carvalhais aparecem nesta região espontaneamente e são um património natural de muito valor. Desempenham importantes funções biológicas de conservação do meio ambiente, de biodiversidade, para além de fornecerem importantes recursos lenhosos e não lenhosos.

Os Zimbrais de juniperus oxycedrus:
Esta espécie aparece muitas vezes consociado a outras formações florestais nomeadamente os carrascais. Podemos no entanto encontrar nesta zona povoamentos monoespecíficos de juniperus oxycedrus de extensão considerável. Estas formações são autênticas relíquias paisagísticas, ocupando essencialmente as áreas mais quentes das arribas do Douro. Tem um crescimento lento. O óleo obtido por destilação da madeira aplica-se em medicina e perfumaria. A madeira, é muito resistente e emprega-se na marcenaria. As vagas de zimbro servem para aromatizar a aguardente.

Soutos e castinçais:
É uma das formações florestais pouco representada no Concelho. Estas localizam-se essencialmente na parte norte do Concelho, nas zonas de maior altitude.
Uma das medidas que mais tem contribuído para o aumento da área desta espécie no Concelho tem sido o regulamento 2080/92. Os objectivos de produção desta espécie são a madeira, fruto e madeira/fruto.

Freixiais de Fraxinus angustifolia: Constitui um dos bosques higrófilos mais importantes desta zona, formando bosques lineares de bordadura aos lameiros tradicionais ou ocupando os vales mais húmidos e de solos mais profundos. É uma espécie que se reveste de grande interesse em cortinas e no meio de lameiros constituindo um complemento em períodos de penúria de alimento para os animais.

Os Amieirais de Alnus glutinosa:
Trata-se de uma espécie ripícola aparecendo essencialmente nas margens dos rios e ribeiros do Concelho. Esta espécie produz uma madeira muito leve sendo em tempos utilizada para o fabrico de socas.

Os salgueirais:
Aparecem nos rios e ribeiros de caudal variável, nas linhas de água que secam no verão ou a substituir os amieirais. Têm uma reduzida diversidade florística e neles dominam o Salix atrocinerea (borrazeira) e o S. salvifolia. São importantes para a estabilização, das margens das linhas de água.

Espécies arbustivas:
Podemos encontrar nestas zonas povoamentos diversos de espécies arbisticas nomeadamente : giestais, piornais, tojais, urzais e estevais, de composições diversas e dinamicamente distintas consoante os casos.

Malhadas:
As malhadas são pastagens naturais de sequeiro, estreitamente dependentes do pastoreio por ovinos. Caracterizam-se por uma grande diversidade de espécies vasculares entre as quais dominam a Poa bulbosa e do Trifolim subterraneum (trevo subterrâneo). Quando devidamente manejadas são um exemplo de um aproveitamento sustentado do meio.

Lameiros:
Os lameiros são pastagens naturais, cuja manutenção depende do corte cíclico da vegetação para a produção de feno ou do pastoreio directo. Os lameiros da zona são pastoreados entre Julho a Março.

Vinha:
No planalto mirandês a vinha destinou-se durante muitos anos, à produção de vinho que cada agricultor transformava essencialmente para auto-consumo ou para pagamento de pequenos serviços quando as permutas ou tornas não eram suficientes.
As vinhas ocupavam essencialmente os terrenos das arribas onde as operações culturais eram realizadas pelo agricultor com tracção animal, quase sempre burros.

A criação da Zona Vitivinícola do planalto Mirandês, e a implementação de alguns programas de apoio à plantação, tem vindo a contribuir para a melhoria técnica da vinha, nomeadamente quanto às castas utilizadas.

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