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“De Miranda ao Cantábrico” - Relato de uma viagem às Astúrias em 1956

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05 Setembro 2016

Até ao próximo dia 30 de setembro, está patente na Casa da Cultura de Miranda do Douro, a exposição, “De Miranda ao Cantábrico”- Relato de uma viagem às Astúrias em 1956, a primeira atuação de um grupo de Pauliteiros.

“Ocorreu em 5 de Agosto de 1956 a primeira actuação de um grupo de pauliteiros mirandeses em terras das Astúrias: foi em Gijon, com a participação do Grupo Folclórico Mirandês de Duas Igrejas “Pauliteiros de Miranda” no “Certame Peninsular de Gaita de Fole”, evento integrado no programa festivo das comemorações do “Dia das Astúrias”.

Um ano antes, o Padre António Maria Mourinho, pároco de Duas Igrejas, uma localidade pertencente ao concelho de Miranda do Douro, encontrou-se na cidade galega de Ourense com D. Rafael Meré, por ocasião das celebrações do “Dia de Portugal” na Galiza. E foi justamente durante esse encontro que surgiu a ideia de se convidar um grupo folclórico mirandês para estar presente no “Dia das Astúrias” de 1956. Muito contribuiu para este propósito o facto de Rafael Meré, então a realizar investigações e estudos sobre as gaitas de foles, desde logo ter recebido a certeza do contributo de António Maria Mourinho no que se referia às cornamusas do Planalto Mirandês e do Nordeste Transmontano.

Por decisão do alcaide de Gijon, D. José Garcia-Bernardo y de la Sala, a Comissão Municipal de Festejos de Gijon fez chegar a António Maria Mourinho o respectivo convite, tendo sido possível concretizar a viagem às Astúrias graças ao apoio económico da Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho e o empenhamento do Governador Civil de Bragança.

 

O Grupo Folclórico Mirandês de Duas Igrejas “Pauliteiros de Miranda” participou, no dia 5 de Agosto de 1956, num “magnífico cortejo”, com a duração de cerca de duas horas – “ao correr da magnífica avenida, numa extensão de três quilómetros”, escreveu António Maria Mourinho – ao qual assistiu uma multidão estimada em mais de cem mil pessoas. De acordo com a imprensa da época – os jornais “Voluntad”, “La Nueva España” e “El Comercio” – a representação mirandesa foi recebida com aplausos entusiásticos, sendo envolvida em “indizíveis” ondas de “carinho e simpatia”. E ao sucesso obtido durante o percurso do desfile, acrescentou-se o êxito alcançado com uma actuação de cerca de 45 minutos, na Plaza Mayor do Ayuntamiento de Gijon, que terminou com o espectacular laço dos pauliteiros intitulado “Salto ao Castelo”. E a completar o programa, deslocou-se o Grupo Folclórico Mirandês de Duas Igrejas “Pauliteiros de Miranda” para a “Pradera de las Mestas”, um descampado no qual decorreu um convívio gastronómico para cerca de trinta mil gijoneses, durante o qual “todos os asturianos queriam obsequiar os mirandeses”.

 Foi, sem dúvida, um acontecimento histórico para o Grupo Folclórico Mirandês de Duas Igrejas “Pauliteiros de Miranda”, que o Padre António Maria Mourinho viveu com particular entusiasmo e emoção, ao ponto de ter escrito seis artigos – inicialmente publicados no jornal “Mensageiro de Bragança” e posteriormente integrados na sua obra Terra de Miranda – Coisas e Factos da Nossa Vida e da Nossa Alma Mirandesa. Edição da Câmara Municipal de Miranda do Douro, 1991, págs. 163 a 185 – intitulados “De Miranda ao Cantábrico”, através dos quais não só relatou a viagem efectuada como divulgou aspectos da vida e da cultura asturiana. Foi, sem dúvida, uma experiência muito marcante, como o atestam as palavras finais deste seu trabalho:

 

Dá-nos a impressão de que pisamos uma cidade antiga, a mãe de um reino que tinha por limite o mar Cantábrico e os Pirinéus, e ao Sul o Douro. A gente das nossas terras pertenceu ao Reino das Astúrias…”

 

Mário Correia

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